sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cotidiano engraçado

Ouvi essa no ônibus quando voltava do trabalho hoje.
Dois caras e duas minas conversando no busão.
Cara1 – Nossa meninas! Vocês estão liiiiiiiiiiiiiindas hoje.
As duas minas – Aí, brigada!^^
Cara1 – Sério. Puxa! Tô até me sentindo mal vestido.
Cara 2 – ¬¬  hummmmmmmmmmmmm boiola!  (em pensamento)
Mina1 – Magina! Que isso!
Mina2 – Lóóóógico que não!
Cara2 – Por quê véio, você queria tá de vestido também?
As duas minas – rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrrsrsrs!
Eu – rsrsrsrsrsrsrsrsrsrrsrssr! – tentando suprimir o riso.
Cara1 – Lógico que não véio, você que tá levando pro lado errado.
Cara2 – Hum, tá.

domingo, 21 de novembro de 2010

Amor acadêmico


A primeira vez que mirei aqueles olhos não conseguia mais parar de fitá-los, ele me percebeu, sorriu e piscou os olhos pra mim fazendo graça. Eram verdes e tinham um brilho envidraçado que me fascinava. Algo de muito bom vinha deles que me inspirava. A minha amiga disse: “Aquele tipo de verde a gente só encontra na Espanha”. Foi o suficiente pra que eu ficasse pensando neles. A segunda vez eu já estava mais preparada, eu sabia que iria encontrá-los e me organizei pra não fazer besteira. Nosso encontro foi no café da manhã, ele comeu, bebeu café, conversou comigo, ufa! deu tudo certo acho que consegui não falar nenhuma merda dessa vez, ele disse que nós tínhamos sotaque parecido com os italianos. Depois ele inteligentemente conquistou a todos naquele auditório com seu carisma e seu charme. Resistir, pra quê? Era hora de tirarmos as fotos, as outras garotas também queriam muito tietá-lo, mas eu fiz questão de ficar do lado dele na pose, ele me queria do lado dele também, eu senti, e apertou gentilmente a minha cintura um pouco mais do que deveria, era um sinal, ele não era indiferente a mim. Nossa despedida foi disfarçada, assim como nosso romance. Eu fui à sala dele entregar o certificado, mas passei em frente duas ou três vezes antes de entrar, tomava coragem, ele falava ao telefone, com quem? Aproveitei a chance de falar com ele já sabendo que provavelmente seria a última vez, entrei e entreguei. Ele olhou, leu com calma, passando o dedo por cima do papel, eu fiquei quieta, esperei, gostava daquele momento, não queria que acabasse muito rápido. Nós dois numa sala sozinhos...
- Então, professor tá tudo certinho agora?
- Ciertinho? Ma! Tá tudo mais que ciertinho!
- Então, professor quando é que o senhor volta pra Espanha?
- Em fin del este mês.
E ele me passou a agenda toda, as universidades que visitaria, as datas e ressaltou que ainda estaria ali de volta mais uma vez antes de partir. Eu entendi, era pra que voltássemos a nós ver mais uma vez.
- O senhor não gostaria de ficar aqui no Brasil, dar aulas aqui por uns... dois anos?
- Si, mas e a família como fica?
Família?! O que será que ele quis dizer com isso? Filhos? Ou esposa e filhos? Geralmente quando é família é a esposa e filhos. Acho que ao constatar isso eu devo ter feito uma cara bem triste, mesmo tentando disfarçar o sentimento que aquela palavra me causou, porque aí ele segurou com firmeza os meus braços, as minhas mãos e me encarou.
- Que tienes menina? Estás triste nos ojos!
Ele me adivinhou!!!
- Pois é, professor é que a Semana tá acabando, sabe...
- Si, si, sei bien, vocês trabalharon duro nisso, no é?
- É, então, é por isso que estou triste, a Semana tá acabando e vou sentir saudade das pessoas...
Não lembro como saí da sala dele direito, não lembro quais foram as últimas palavras que falei com ele, eu só lembro do Que tienes menina? Estás triste nos ojos! Dele piscando brincalhão pra mim, dele conversando só comigo no café e no brilho daqueles olhos. Teve mais coisas, mais momentos, mas o que vale a pena contar está aqui, depois ele pediu outra alteração no certificado, muito justa e pertinente, claro, fiquei pensando se ele queria que fosse eu de novo a fazer a entrega, mas desta vez eu não fui.

Bia K (meio Clarice Lispector hoje)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo bom que não volta nunca mais


Escrevi o texto abaixo junto com o Felipe em setembro de 2010, na época fazia alguns dias que a biblioteca do Instituto Unibanco tinha fechado. Era para este texto ter sido publicado em outro blog, mas agora publico ele aqui porque é o meu protesto contra o fechamento da biblioteca que usei pra fazer minhas pesquisas da escola no Ensino Médio, estudar para o vestibular, onde li quase todos os Harry Potter, onde  fui voluntária, e depois  fiz estágio (bons tempos), mas principalmente o lugar onde conheci os bibliotecários que me inspiraram a querer ser bibliotecária. Depois do fechamento da biblioteca do CETZ fiquei sabendo de gente que vai estudar na praça próxima porque não tem mais nenhum lugar ideal para estudar tão perto quanto antes. Mas a pergunta que não quer calar é: a reforma do espaço foi feita nem quatro anos atrás, com direito a prédio feito para ser biblioteca, moderno, bonito, adequado, então por que raios o Instituto Unibanco investiu dinheiro na construção de todo o espaço e agora jogou esse dinheiro no lixo tão rápido desativando a biblioteca? Pra que não seja desse jeito eles vão ter que construir alguma coisa que dê muito mais lucro no lugar, mas não sei o quê, afinal o terreno não fica tão bem localizado assim, a biblioteca ficava à beira da Raposo Tavares, não na Paulista. Então não tenho resposta pra essa pergunta, acho que só  o tempo dirá o que aquele prédio vai virar. É isso meus amigos.
Bia K (Ainda desolada com essa história)

Instituto Unibanco fecha biblioteca usada por mais de 3 mil pessoas.
por Beatriz Araújo e Felipe Salles em 12 de setembro de 2010.
No dia 1º de setembro de 2010, a biblioteca mantida pelo Instituto Unibanco localizada no jardim Educandário, zona Oeste de São Paulo, foi arbitrariamente fechada sem grandes possibilidade de protesto por seus cerca de 3 mil usuários, o único comunicado oficial foi uma espécie de panfleto chanfrado colado na portaria do Centro de Estudos onde fica a biblioteca, sem aviso prévio de nenhuma natureza ou enumeração de motivos de fechamento à biblioteca  que foi criada com o intuito de favorecer a ampliação do horizonte cultural dos freqüentadores e que era amplamente utilizada pelos alunos das três principais escolas estaduais do bairro (E.E. Professor Lourival Gomes Machado, E.E. Profª Guiomar Rocha Rinaldi e a E.E. João XXIII)  por sua proximidade e facilidade de acesso, atendia também os funcionários do conglomerado  Itaú-unibanco, e sobretudo a comunidade do jardim Educandário.
A biblioteca funcionava desde 2003 no Centro de Estudos Tomas Zinner, um laboratório de desenvolvimento de atividades orientadas e de experimentação de tecnologias pedagógicas, e que até tempos atrás também oferecia cursos e oficinas para a comunidade.
A biblioteca possuía um acervo com mais de 35 mil itens entre livros periódicos e DVDs, também dispunha de computadores com acesso a Internet para pesquisas escolares e acervo atualizado com clássicos da literatura, livros infanto-juvenis, assinatura dos principais jornais e revistas e obras para estudo e informação de estudantes, professores, pesquisadores e demais interessados, além de uma intensa programação cultural com saraus e encontros literários.
Durante certa época chegou a atender diariamente mais de 100 pessoas, oferecendo serviços como auxilio a pesquisa, empréstimo de livros e acesso a Internet. Contudo nos últimos meses houve a criação de uma norma interna proibindo a entrada de menores de 14 anos desacompanhados dos pais ou responsáveis no Centro de Estudos Tomas Zinner, o que reduziu drasticamente a freqüência da biblioteca.
 A maioria dos usuários eram estudantes do ensino médio que usavam a biblioteca com o intuito de complementar pesquisas escolares e estudar para o vestibular, o ENEM e concursos públicos, ao mesmo tempo em que era freqüentada por pessoas que procuravam um espaço diferenciado para a leitura e lazer, bem como estudantes universitários em busca de material especifico.
A biblioteca pública mais próxima fica a 9 km de distância. O motivo do fechamento ainda não foi explicado, foi feito contato com o Instituto Unibanco, empresa mantenedora da biblioteca, mas até agora não tivemos resposta.
A comunidade do jardim Educandário está se manifestando através de uma comunidade no Orkut (“Reabram a biblioteca do CETZ”) e também um abaixo-assinado. Os movimentos de protesto não têm uma meada condutora pelo estranhamento causado pelo fechamento abrupto e boa parte dos utilizadores somente possuía acesso a Internet pela biblioteca e nem ao menos pode participar do movimento online!
O que a comunidade pergunta é que porque o Instituto Unibanco deixou de investir nela? Será que a fusão Itaú-Unibanco não permite mais o investimento na comunidade? Afinal uma relação de já quase sete anos foi estabelecida entre a comunidade do jardim Educandário e a biblioteca do Centro de Estudos, os cursos, oficinas contaram com o apoio da comunidade que participava das atividades e contribuía para que a empresa pudesse desenvolver suas tecnologias pedagógico-educacionais. Ainda que não seja uma obrigação da empresa, ela assumiu uma responsabilidade social e atuava como um dos poucos espaços de cultura e lazer do bairro, mas que agora com o fechamento da biblioteca extingui-se um local que proporcionava educação e informação para jovens estudantes e toda a comunidade do jardim Educandário.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Intensificador

Faz pouco tempo que descobri que muitos de meus amigos têm blogs, e blogs muito bons, interessantes, nos quais pude descobrir que muitos deles fazem poesia, contos, resenhas de livros e filmes, criticam a realidade cotidiana, tiram um sarro das situações rotineiras, fazem reflexões profundas sobre temas intensos e polêmicos, enfim, blogs onde eles expressam seus pensamentos, da maneira mais pessoal possível, deixando sua marca na terra e expondo a essência do seu ser. Falar desse jeito e meio ridículo, mas é verdade. As pessoas sempre tiveram diários, nas cavernas os homo alguma coisa sapiens primitivos, desenhavam nas paredes das cavernas o seu dia-a-dia de caça, pesca e de sei lá mais o quê, os diários são mais comuns na adolescência e nas meninas, mas os meus livros favoritos são diários de meninos: O mais bonitinho perdeu o rabo de Luis Lustig, Memorial de Aires de Machado de Assis e O adolescente de Fiódor Dostoiéviski, não sei o porquê, vai ver ainda estou tentando entender este universo masculino e a escrita em primeira pessoa do singular surge em todas as línguas. Diante de tantos blogs legais, eu pensei “Eu quero também” e foi inspirada nestes amigos e colegas, alguns que nem conheço pessoalmente direito, outros nem conheço pessoalmente mesmo, mas que já admiro pela escrita e pela coragem de sair da bolha e mostrar a cara que decidi fazer o meu blog O intensificador onde também pretendo fazer a mesma coisa que os meus amigos, e dar a chance ao mundo de conhecer o meu mundo. Além é claro de ser uma forma treinar a escrita e de catarse.

Bia K (que escreveu este post no estágio porque tinha uma atividade muito diversificada e radical pra fazer)