sábado, 16 de maio de 2015

Cafachorros



Vocês já ouviram a teoria do cafachorro?

A teoria que diz que toda mulher tem um cafachorro, que é um marco na vida dela (e isso não é uma coisa nada boa).

Pois é, conversando com uma amiga, ela apresentou essa teoria, que me caiu como uma luva, ela deu nome para o que eu já observava há muito tempo.

Basicamente existe a vida antes e depois do cafachorro. É assim que a mulher divide sua vida pós-cafachorro: o que ela pensava antes dele, como ela enxergava o mundo antes dele, no que ela acreditava antes dele e como ela era emocionalmente antes dele chegar a sua vida. E depois dele o cenário de campo de batalha que restou.

E eu achava que só eu dividia a vida antes e depois do ~sujeito~, mas depois que escutei essa teoria, percebi que esse é um jeito feminino muito comum de pensar, tanto que até já teorizaram a coisa. 


Mas agora fica a pergunta que outra amiga me fez: quem alimenta o cafachorro? Quem alimenta esse lado negro do masculino que faz com que todas essas mulheres tenham uma história medonha pra contar do cafachorro mor?

sábado, 4 de janeiro de 2014

A pergunta que não quer calar

Se eu comprar um vibrador e uma almofada que abraça, ainda vou precisar arrumar um namorado?


domingo, 1 de dezembro de 2013

Nunca mais

Você tem a minha permissão para me esquecer, já que não me escolheu.
Na sua vida eu quero ser apenas a sombra do meio-dia, a cor preta na escuridão.
Quando chegar nesta mesma data no ano que vem, tomara que você não lembre nem do meu rosto direito e tenha dificuldade para recordar meu nome.
Só quero estar na sua memória como um cheiro familiar
Sensação e gosto de beijo que surge de repente na sua boca.
Sentimento no sonho que você não consegue explicar.
Sou eu. Nunca mais.
(Escrito em 02/02/ 2013)

Tormenta


Uma vez me disseram que eu pareço calma... Bem, o que eu acho disso é que um astronauta quando vê o oceano do espaço, também deve achar que o mar é um lugar calmo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Tempestade



Mostrando o quadro “Ventania” de Antonio Parreiras, a professora de história da arte pergunta: “Afinal, né, gente, quem é que nunca teve uma tempestade na vida? Mas a tempestade dura pra sempre?” A pergunta chega a ser quase retórica de tão piegas, mas eu não pude evitar ser afetada por essas palavras neste fim de semana. Também de quantas coisas no mundo podemos evitar ser afetados? A vida te vive de qualquer maneira. Eu ainda concordo com Nietzsche que só podemos mudar nossas atitudes e não aquilo que nos acontece. As palavras mais exatas dele seriam talvez assim: “O que importa não é o que mundo faz de você, mas sim o que você faz com aquilo que o mundo faz de você”. Eu entendo a coisa mais ou menos assim, é sempre um juntar de cacos infinito, um trabalhinho de Sísifo, porém ao contrário do deus, um trabalho necessário para quem ainda deseja (sobre)viver. Se a tempestade não dura para sempre o que dura então? A certeza de que outras tempestades virão, é certo. Por favor, não me rotulem de pessimista, minha reflexão vai além de enxergar o copo meio vazio.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O problema não é ser, é parecer




Era uma vez a D. e os meninos da nossa sala ficavam chamando-a de loira burra. Ela era loirinha mesmo, tinha matizes louros lindos no cabelo. Mas ela também não estava entre as alunas mais estudiosas e como dizia umas besteiras fora de hora e sem noção, os meninos xingavam-na de burra. Um dia cansada de ser tirada de loira burra, ela resolveu, não se emendar nem se esforçar mais nos estudos, mas sim tingiu de um preto cadavérico as madeixas loiras perfeitas do seu cabelo. Ela mesma me contou os motivos dessa história quando perguntei por que ela havia feito aquele crime contra o próprio cabelo. Até o último ano em que estudamos juntas nunca mais ouvi os meninos xingando-a de loira burra. Pois é. Tem uns seres humanos geniais na hora de facilitar a própria vida. Malandra.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A escatológica



- Qual é o problema comigo? Tudo dá errado na minha vida. Eu tô sempre na merda. Devo ser um bosta.

- O problema é que você se acha um bosta.

- E o que tem isso a ver?

- Eu já vi muita gente que é uma bosta se dar muito bem na vida.

- Sério?!

- Sério. Elas eram titica de pombo no banco da praça, cacareco em parece, calçada com vômito, escarrada no estrogonofe e gostavam muito se si mesmas. Falavam de si próprias como se fossem geniais, o resultado: todos acreditavam nelas, eram enganados por elas ou fingiam pra não discordar da maioria.

- O segredo é esse então? Ser o primeiro a mudar de opinião sobre si mesmo? Se eu me achasse genial, logo tudo mudaria? Até parece...

- Se você se acha um bosta, as pessoas te tratam como um bosta, te enxergam como um bosta, porque não tem ninguém pra mudar a opinião delas.

- !? (desconfiado)

- Você não se ajuda, não é nem seu próprio amigo. Por que alguém se importaria?

- E o que eu faço então?

- Sei lá, tô cagando pra você, você é um bosta mesmo.

- Malcriada.

- ... (de ombros)

- Tudo bem, eu sou um bosta. Mas também não vou fingir, nem pra mim, nem pra outros. Não preciso de um bando de crentes, burros ou falsos pra me seguir.

- Bosta solitária.

- Bosta sozinha fede menos do que quando junto de outra. Vou procurar companhia melhor.

- Espera!

- Que é?...

- É, no fim das contas só os perversos se admiram por completo.

- É preciso enojar-se das próprias merdas pra ser humano.

- Pois é, um pouco de auto-ódio faz bem contra a tirania.

- É. Fezes.

- Pra você também.