domingo, 4 de setembro de 2011

Horrível e chocante


Coisas horríveis e chocantes aconteceram comigo nesta semana. Pelo menos pra mim, os fatos dos últimos dias são horríveis e chocantes, pois não estou acostumada a passar mal no ônibus, ver gente consumindo óxi na minha frente e ser assaltada por crianças! Essa semana foi foda, na verdade, numa expressão que ouvi recentemente de um amigo, “é de cair o cu da bunda”.

Primeiro eu passo mal no ônibus. Vômito e quase desmaio no busão. Resultado de uma noite em claro e de um lanche suspeito consumido na noite anterior.

E ontem voltando do CCSP, sofri uma tentativa de assalto de duas meninas de uns 11 anos. A princípio não entendi o que elas diziam, achei que viessem pedir dinheiro, depois entendi, diziam: “Tá dominado,tá dominado, vai, vai, passa o celular, passa o celular”.

Isso foi tão chocante pra mim, que até agora nem acredito, no que aconteceu, duas garotas que deveriam estar brincando de pular elástico ou qualquer outra brincadeira típica dessa idade, foram me assaltar! A minha sorte, foi que atrás de mim vinha um casal, e a presença deles inibiu as meninas. Se elas tivessem me ameaçado com uma arma ou faca eu teria sido obrigada a fazer o que mandavam, mas elas não me ameaçaram com nada que eu tenha visto. Se elas estivessem em bando ou se as outras três crianças que eu vi vindo logo atrás delas tivessem me abordado juntas, eu teria sido obrigada a entregar o celular e o que mais que elas pedissem.

Foi no fim da tarde, eu estava sozinha andando por uma praça que deveria ter pelo menos uma base móvel da policia ou uma viatura estacionada, mas não tinha. Acho que era a Praça Zanchetta Molina. Já havia passado por lá antes uma vez. Acontece que a minha grana está curta e resolvi tentar chegar ao CCSP sem usar metrô. Mas concluí após o acontecido que o jeito mais seguro e rápido de chegar lá é de metrô mesmo.

Na primeira vez que passei lá, fiquei chocada com a quantidade de moradores de rua. Lembro de ter pensado: “Nossa! Como tem mendigos nessa praça, e está deserta, não tem nem gente passando, nem policiais, só moradores de rua”. Nisso já fiquei achando que o lugar era perigoso, mas pensei: “Tão pertinho do CCSP e do metrô como pode ficar assim sem segurança?” Nas praças da cidade é de praxe ter policiamento, sempre precisa, afinal lugares como praças dão margem a todo tipo de bandidos, vagabundos, ladrões, traficantes e baderneiros.

A praça, pelo visto, mesmo ficando atrás da entrada do metrô Paraíso, e perto do CCSP não tinha a menor segurança policial. Na praça havia apenas um ponto de táxi e os taxistas pareciam tensos, com cara de poucos amigos, nas duas vezes que passei por ali.

Uma das meninas era branca e a outra era negra. Eu as vi, me encarando e olhando pra mim. Uma delas usava blusa rosa e a outra uma blusa branca, se não me engano. Atrás delas vinham, um pouco mais longe, outras três crianças. Minha reação foi me afastar, eu fugi quando fui abordada, andei em direção a rua e um carro buzinou ao passar por mim. Depois que fugi fiquei olhando as garotas, a garota branca se irritou por eu ter ficado olhando pra ela e gritou pra mim: “Que foi? Que foi? Caralho!” Daí percebi que tinha atravessado fora da faixa e estava no meio da rua, junto com o casal que também fugiu.

O estranho é que o local é deixado à mercê pelos policiais, uma região em que tem muita movimentação de pessoas, perto da Paulista, perto do CCSP, do metrô e de uma unidade da Unip. A região do Paraíso está vazia e abandonada, ao Deus dará, onde cada pedestre e transeunte fica responsável pela sua própria sorte.

E agora puxando pela memória, não me lembro de no CCSP ter visto sequer uma vez uma viatura policial ou então um PM. Tanta gente passa por ali e mesmo assim a região parece esquecida e abandonada pela policia. Os únicos que não se esquecem de lá é bandidagem. Apesar de gente falar que polícia não resolve, a presença da polícia inibe esse tipo de delinquência juvenil. Quem imagina que vai ser assaltada por duas meninas de 11 anos?

Vou ter que fazer uma queixa pra ver se colocam policiamento lá, não dá pra continuar assim. Dar parte na polícia é tudo o que uma munícipe, cidadã e inútil como eu pode fazer nesses casos. Minha mãe e minha irmã disseram que viram uma reportagem sobre o grupo de meninas que ataca na região do Paraíso, mas é claro que só fiquei sabendo disso depois do acontecido, senão teria me precavido, né. Fui atrás e a reportagem é essa aqui: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/criancas-que-invadiram-hotel-queriam-superar-gangue-das-meninas-20110823.html.
Fica o alerta pra quem passa pela região.

O que me deixa revoltada é que essas garotas me escolheram pra assaltar, eu podia com elas, mesmo não sendo muito mais alta, mas não se elas estivessem armadas ou se as três crianças próximas as tivessem ajudado, não daria pra mim.

Ser mulher e não ser mais alta me deixa em posição de inferioridade, quase sempre, eu pareço um alvo fácil, ou pelo menos uma vítima mais fácil do que um homem ou uma mulher alta. Acho que os óculos também não ajudam para que eu pareça agressiva ou esperta.

Minha mãe me deu uma bronca por causa dessa história. Meus pais sempre fazem questão de dizer com todas as letras que a burra sou eu, que eu dou margem pra passar por esse tipo de situação. Daí que eu fico me sentido burra mesmo, tapada e bem Macabéa[1].

E a derradeira situação, mas que na verdade aconteceu antes da última narrada, foi que eu estava numa QiB, e uma garota linda e gata, super bem vestida, começou a usar óxi na minha frente e na frente das minhas amigas! Na verdade eu não sei muito bem o que é óxi, pelo que vi numa reportagem é um tipo de droga, mais barata que o crack e mais viciante. Eu não sei bem como se consome aquilo, se é de cheirar ou fumar, eu só sei que era droga pelo diálogo que ouvi[2].

Eu e as minhas amigas estávamos conversando e tentado fugir do frio daquela noite, sentamos num banco mais escondido perto do prédio principal, porque lá não ventava tanto. A garota chegou acompanhada de outras de pessoas que se sentaram no banco ao lado do nosso. Os bancos formavam um L, de modo que as duas turmas podiam se ver, mas era noite e eu estava mais interessada em olhar na direção das minhas amigas enquanto conversávamos. A garota estava bem vestida, cabelo chanel castanho e liso, acho que usava saltos e um casaco preto comprido. Ela era branca e estava muito bem maquiada. Eles estavam esperando alguém que não chegava, um dos amigos dela usava um goro grande. Ela pegou da bolsa um potinho que até parece com um pote meu de base mineral, eu achei que o pote dela fosse um espelho ou maquiagem. Depois percebi que não era nada disso, imaginei que eles fossem fumar maconha, o que não é nada incomum de se ver nesse tipo de festa da Usp. Mas aí tinha um cara da turma da menina que perguntou assustado ao olhar pra ela, e ver o que ela fazia: “O que é isso que você tá fumando? É crack?” e ela respondeu: “Não é óxi, que é um negócio muito mais fodido”.

Sempre que eu penso em gente que é usuária de drogas, eu imagino gente feia, perebenta e fedida. Aquela garota era a maior patricinha, linda e bem vestida. Ela deveria ter uns 25 anos no máximo, mas não sei dizer se é uma estudante da Usp ou não, eu nunca a vi antes, mas também nem quero mais vê-la.

Depois dessa conversa que ouvimos, o clima ficou tenso, perguntei rápida e discretamente pras minhas amigas, se elas queriam sair dali, elas concordaram, lógico, e saímos pra passar frio e conversar em outro banco.

O resultado dessas histórias todas foi que um amigo meu me falou sobre um caminho alternativo pra chegar ao CCSP de ônibus. Pretendo dar queixa na polícia ou alertá-los de que aquela região do Paraíso precisa de policiamento constante. Não quero nunca mais ver aquela garota do óxi. E não como mais lanche da barraca daquela tiazinha.

Bia K (Chocada e indignada).


[1]   Macabéa, personagem de A Hora da Estrela de Clarice Lispector. http://pt.wikipedia.org/wiki/Macab%C3%A9a
[2] Depois fui atrás de mais informação sobre essa droga e achei essa reportagem que confirma o que eu já tinha visto na outra reportagem: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/oxi-e-mais-prejudicial-que-o-crackue-o-crack


Um comentário:

  1. Bia, nós nem reparamos, mas naquele caderninho com a programação do CCSP está escrito na capa "utilize o metrô para chegar ao ccsp". Acho que você não foi a única vítima daquela região... Provavelmente a organização do CCSP sabe das condições do lugar e falar do metrô talvez não seja só por uma questão de facilidade de locomoção.

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