quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sina


Sinto que a minha vida está estragada. Não acho mais que seja capaz de ser feliz como eu era. Da minha vida perfeita só sobraram lembranças. A alegria jovial e despreocupada que eu tinha por simplesmente estar no mundo já não tenho mais. Reconheço que a culpa por me sentir assim também é minha. Mas meus amores me frustram, meus amigos me desapontam, e eu desaponto meus amigos. Sinto que a vida me usa para se perpetuar, e eu sou apenas o fantoche do teatro maligno que é a existência.


Bia K (...)

domingo, 4 de setembro de 2011

Horrível e chocante


Coisas horríveis e chocantes aconteceram comigo nesta semana. Pelo menos pra mim, os fatos dos últimos dias são horríveis e chocantes, pois não estou acostumada a passar mal no ônibus, ver gente consumindo óxi na minha frente e ser assaltada por crianças! Essa semana foi foda, na verdade, numa expressão que ouvi recentemente de um amigo, “é de cair o cu da bunda”.

Primeiro eu passo mal no ônibus. Vômito e quase desmaio no busão. Resultado de uma noite em claro e de um lanche suspeito consumido na noite anterior.

E ontem voltando do CCSP, sofri uma tentativa de assalto de duas meninas de uns 11 anos. A princípio não entendi o que elas diziam, achei que viessem pedir dinheiro, depois entendi, diziam: “Tá dominado,tá dominado, vai, vai, passa o celular, passa o celular”.

Isso foi tão chocante pra mim, que até agora nem acredito, no que aconteceu, duas garotas que deveriam estar brincando de pular elástico ou qualquer outra brincadeira típica dessa idade, foram me assaltar! A minha sorte, foi que atrás de mim vinha um casal, e a presença deles inibiu as meninas. Se elas tivessem me ameaçado com uma arma ou faca eu teria sido obrigada a fazer o que mandavam, mas elas não me ameaçaram com nada que eu tenha visto. Se elas estivessem em bando ou se as outras três crianças que eu vi vindo logo atrás delas tivessem me abordado juntas, eu teria sido obrigada a entregar o celular e o que mais que elas pedissem.

Foi no fim da tarde, eu estava sozinha andando por uma praça que deveria ter pelo menos uma base móvel da policia ou uma viatura estacionada, mas não tinha. Acho que era a Praça Zanchetta Molina. Já havia passado por lá antes uma vez. Acontece que a minha grana está curta e resolvi tentar chegar ao CCSP sem usar metrô. Mas concluí após o acontecido que o jeito mais seguro e rápido de chegar lá é de metrô mesmo.

Na primeira vez que passei lá, fiquei chocada com a quantidade de moradores de rua. Lembro de ter pensado: “Nossa! Como tem mendigos nessa praça, e está deserta, não tem nem gente passando, nem policiais, só moradores de rua”. Nisso já fiquei achando que o lugar era perigoso, mas pensei: “Tão pertinho do CCSP e do metrô como pode ficar assim sem segurança?” Nas praças da cidade é de praxe ter policiamento, sempre precisa, afinal lugares como praças dão margem a todo tipo de bandidos, vagabundos, ladrões, traficantes e baderneiros.

A praça, pelo visto, mesmo ficando atrás da entrada do metrô Paraíso, e perto do CCSP não tinha a menor segurança policial. Na praça havia apenas um ponto de táxi e os taxistas pareciam tensos, com cara de poucos amigos, nas duas vezes que passei por ali.

Uma das meninas era branca e a outra era negra. Eu as vi, me encarando e olhando pra mim. Uma delas usava blusa rosa e a outra uma blusa branca, se não me engano. Atrás delas vinham, um pouco mais longe, outras três crianças. Minha reação foi me afastar, eu fugi quando fui abordada, andei em direção a rua e um carro buzinou ao passar por mim. Depois que fugi fiquei olhando as garotas, a garota branca se irritou por eu ter ficado olhando pra ela e gritou pra mim: “Que foi? Que foi? Caralho!” Daí percebi que tinha atravessado fora da faixa e estava no meio da rua, junto com o casal que também fugiu.

O estranho é que o local é deixado à mercê pelos policiais, uma região em que tem muita movimentação de pessoas, perto da Paulista, perto do CCSP, do metrô e de uma unidade da Unip. A região do Paraíso está vazia e abandonada, ao Deus dará, onde cada pedestre e transeunte fica responsável pela sua própria sorte.

E agora puxando pela memória, não me lembro de no CCSP ter visto sequer uma vez uma viatura policial ou então um PM. Tanta gente passa por ali e mesmo assim a região parece esquecida e abandonada pela policia. Os únicos que não se esquecem de lá é bandidagem. Apesar de gente falar que polícia não resolve, a presença da polícia inibe esse tipo de delinquência juvenil. Quem imagina que vai ser assaltada por duas meninas de 11 anos?

Vou ter que fazer uma queixa pra ver se colocam policiamento lá, não dá pra continuar assim. Dar parte na polícia é tudo o que uma munícipe, cidadã e inútil como eu pode fazer nesses casos. Minha mãe e minha irmã disseram que viram uma reportagem sobre o grupo de meninas que ataca na região do Paraíso, mas é claro que só fiquei sabendo disso depois do acontecido, senão teria me precavido, né. Fui atrás e a reportagem é essa aqui: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/criancas-que-invadiram-hotel-queriam-superar-gangue-das-meninas-20110823.html.
Fica o alerta pra quem passa pela região.

O que me deixa revoltada é que essas garotas me escolheram pra assaltar, eu podia com elas, mesmo não sendo muito mais alta, mas não se elas estivessem armadas ou se as três crianças próximas as tivessem ajudado, não daria pra mim.

Ser mulher e não ser mais alta me deixa em posição de inferioridade, quase sempre, eu pareço um alvo fácil, ou pelo menos uma vítima mais fácil do que um homem ou uma mulher alta. Acho que os óculos também não ajudam para que eu pareça agressiva ou esperta.

Minha mãe me deu uma bronca por causa dessa história. Meus pais sempre fazem questão de dizer com todas as letras que a burra sou eu, que eu dou margem pra passar por esse tipo de situação. Daí que eu fico me sentido burra mesmo, tapada e bem Macabéa[1].

E a derradeira situação, mas que na verdade aconteceu antes da última narrada, foi que eu estava numa QiB, e uma garota linda e gata, super bem vestida, começou a usar óxi na minha frente e na frente das minhas amigas! Na verdade eu não sei muito bem o que é óxi, pelo que vi numa reportagem é um tipo de droga, mais barata que o crack e mais viciante. Eu não sei bem como se consome aquilo, se é de cheirar ou fumar, eu só sei que era droga pelo diálogo que ouvi[2].

Eu e as minhas amigas estávamos conversando e tentado fugir do frio daquela noite, sentamos num banco mais escondido perto do prédio principal, porque lá não ventava tanto. A garota chegou acompanhada de outras de pessoas que se sentaram no banco ao lado do nosso. Os bancos formavam um L, de modo que as duas turmas podiam se ver, mas era noite e eu estava mais interessada em olhar na direção das minhas amigas enquanto conversávamos. A garota estava bem vestida, cabelo chanel castanho e liso, acho que usava saltos e um casaco preto comprido. Ela era branca e estava muito bem maquiada. Eles estavam esperando alguém que não chegava, um dos amigos dela usava um goro grande. Ela pegou da bolsa um potinho que até parece com um pote meu de base mineral, eu achei que o pote dela fosse um espelho ou maquiagem. Depois percebi que não era nada disso, imaginei que eles fossem fumar maconha, o que não é nada incomum de se ver nesse tipo de festa da Usp. Mas aí tinha um cara da turma da menina que perguntou assustado ao olhar pra ela, e ver o que ela fazia: “O que é isso que você tá fumando? É crack?” e ela respondeu: “Não é óxi, que é um negócio muito mais fodido”.

Sempre que eu penso em gente que é usuária de drogas, eu imagino gente feia, perebenta e fedida. Aquela garota era a maior patricinha, linda e bem vestida. Ela deveria ter uns 25 anos no máximo, mas não sei dizer se é uma estudante da Usp ou não, eu nunca a vi antes, mas também nem quero mais vê-la.

Depois dessa conversa que ouvimos, o clima ficou tenso, perguntei rápida e discretamente pras minhas amigas, se elas queriam sair dali, elas concordaram, lógico, e saímos pra passar frio e conversar em outro banco.

O resultado dessas histórias todas foi que um amigo meu me falou sobre um caminho alternativo pra chegar ao CCSP de ônibus. Pretendo dar queixa na polícia ou alertá-los de que aquela região do Paraíso precisa de policiamento constante. Não quero nunca mais ver aquela garota do óxi. E não como mais lanche da barraca daquela tiazinha.

Bia K (Chocada e indignada).


[1]   Macabéa, personagem de A Hora da Estrela de Clarice Lispector. http://pt.wikipedia.org/wiki/Macab%C3%A9a
[2] Depois fui atrás de mais informação sobre essa droga e achei essa reportagem que confirma o que eu já tinha visto na outra reportagem: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/oxi-e-mais-prejudicial-que-o-crackue-o-crack


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mentirinhas brancas

Faz muito tempo que eu não escrevo, na verdade muito tempo mesmo, eu comecei, mas meu blog quase não tem posts. Os motivos para isso foram a falta de assuntos interessantes sobre os quais escrever, falta de tempo pra escrever (se bem que quem quer de verdade sempre arruma tempo pra fazer as coisas das quais gosta, né), mas confesso que faltou também vontade da minha parte. Mas agora resolvi voltar a escrever, vou me esforçar para escrever com mais assiduidade porque recebi incentivo de um grande amigo. Esse meu amigo leu meu blog recentemente, e disse que gostou muito dos meus posts, fiquei super contente com essa notícia, e ele perguntou por que eu parei de escrever, então resolvi ressuscitar do mundo dos blogs zumbis O intensificador, que estava quase que jogado às moscas. Pensei em algo pra escrever, na verdade eu tenho muitas anotações em no meu caderno pessoal e no meu diário, e este post veio dessas anotações.
Eu não sou uma pessoa má, mas eu minto às vezes, na maioria das vezes para agradar, para impressionar e para me livrar de situações chatas, eu nunca menti sobre nada grave, também não me lembro de ter causado mal a alguém por isso, nunca causei problemas a ninguém por mentir, na verdade eu lembro é de ter livrado a cara de uma amiga com o pai dela com uma mentirinha, mas como a minha mãe diz mentira tem perna curta, e mesmo eu tendo livrado a cara dela naquele dia, o pai dela descobriu tudo mais tarde e nós duas nos ferramos bonito, mas enfim mentira é um recurso que eu só uso em último caso, até porque eu sempre fico me sentindo mal depois, e também porque acredito que amor e amizade só são possíveis com honestidade e sinceridade, mas aí eu penso: "não tinha outro jeito", analisando as consequências algumas vezes mentir parece ser a melhor opção. Apesar disso eu não me considero uma pessoa mentirosa, eu não costumo mentir sobre coisas sérias ou que prejudiquem outras pessoas, eu juro, mas acreditem em mim se quiserem, é claro. Estou pensando agora que talvez com este post meus amigos questionem a minha credibilidade, mas já que resolvi falar sobre esse tema delicado vou até o fim e ver no que dá.
Quando eu estava no catecismo e a minha catequista, a professora Sônia, como respeitosamente a chamávamos, foi questionada sobre o 9º mandamento, ela explicou o seguinte pra classe: "Dar falso testemunho é diferente, é um pecado afinal seja o seu não, não e o seu sim, sim, como diz na Bíblia,* mas mentirinhas brancas pode". Será que eu entendi direito? Você pode mentir se a mentira não prejudicar ninguém? Fiquei me perguntado. Bem, na minha cabecinha de oito anos eu entendi que sim e na minha cabeçona de vinte e três continuei entendendo que sim também. Durante uma discussão sobre o filme Desejo e Reparação, uma colega e eu tivemos uma divergência, que não foi sobre a beleza do filme, da história ou do James Macvoy, concordamos plenamente que a história é bem contada, a fotografia linda a cena de sexo amor na biblioteca é de tirar o fôlego, mas discordamos bem naquilo que, na minha opinião, não haveria dúvidas, pois a Briony é uma fuck lier descarada e covarde, a minha colega disse que não que a Briony não tinha certeza do que viu, que foi uma infantilidade, eu respondi que a sua falta de certeza e infantilidade haviam custado a felicidade de duas boas pessoas, e que já que a Briony não tinha certeza deveria ter dito que não tinha certeza, ué. Enfim, toda vez que eu encontro com essa minha colega a discussão sobre esse filme fica nesse impasse, ela defende a Briony e eu crucifico a Briony, eu adeio a Briony e a minha colega ama a Briony, tisc tisc, dilema sem solução, discussão sem acordo, assunto sem fim.
Quem ainda não assistiu a esse filme assista, o filme é basicamente sobre o tema da mentira e sobre a personagem Briony que passa o resto da vida tentando se redimir, de jeitos nada eficientes, da mentira que estragou a vida da sua irmã, Cecília, do Robbie, lindo, e a da própria Briony. Pra mim o único jeito de reparar uma mentira é contar a verdade, não adianta em nada limpar penicos de hospital, servir de enfermeira na guerra ou escrever um livro com final feliz, se não contar a verdade e ter coragem para aguentar as consequências, o que a Briony fez foi como cuspir na porta do vizinho do lado direito e ir limpar o chão do vizinho do lado esquerdo, a casa do outro continua cuspida, isso não faz sentido, não resolve a situação, a culpa pode até ser expiada, mas as consequências não são até contar a verdade, principalmente quando se sabe que prejudicou alguém.
Bom, como vocês devem ter percebido esse filme mexeu muito comigo e já faz um bom tempo que eu o assisti, mas mesmo assim continuo refletindo sobre ele e sobre o tema da mentira. Mas a mentirinha branca também existe no cotidiano profissional, é aquela situação que você vai no passo do malandro, como diz uma amiga minha, pra não deixar pior o que já está ruim: “O quê? O seu livro não está na prateleira? E consta como disponível no catálogo? Você veio de tão longe só pra pegar esse livro?! Deve ser porque tem outra pessoa usando o livro nesse exato momento dentro da biblioteca que ele não está no local certo. E em pensamento “Leitura de estante começa já amanhã, deve estar mesmo uma bagunça esse acervo, estamos com pouca gente na equipe, mas vamos ter que dar um jeito, e deixa eu anotar o nome desse usuário pra quando acharmos esse livro, puxa vida ele veio de tão longe só pra pegar esse livro...ai que droga”. Esse tema suscita em mim muitos questionamentos tanto sobre mentiras que destroem vidas, mentiras que beneficiam ainda que só temporariamente ou mentiras que são pra amenizar situações chatas.
Durante muito tempo antropólogos e biólogos, acharam que só o homem era capaz de mentir, mas descobriram que algumas espécies de macacos conseguem dissimular, por exemplo, não olhando para uma fruta madura na árvore na companhia de outros do bando e quando estão sozinhos abocanham a fruta pra se deliciarem isoladamente. O que me faz pensar que mentir é um recurso de inteligência e comunicação, ainda que em níveis diferentes, só os alguns primatas e nós humanos que temos essa capacidade. Mas é claro que o que realmente me preocupa são as questões éticas sobre esse tema de mentir para o bem. Qual seria o limite justo para mentir? Essa aula no catecismo eu ainda lembro bem porque foi a que mais me deixou reflexiva, ainda hoje deixa, se mentir fosse tão errado porque algumas vezes traz benefícios para as partes envolvidas? Seriam válidas aquelas máximas que ouvi durante a vida toda “A verdade dói, mas uma mentira dói mais ainda” e “O amor resiste a tudo menos a mentira”? E a humanidade se tornaria melhor sem a capacidade de mentir? Eu seria uma pessoa melhor se não mentisse nunca? Oscar Wilde disse que “não devemos fazer nada sobre o qual não possamos conversar depois do jantar” **, ou seja, se não quer dissimular não faça merda. Pra mim esse parece um conselho sábio.
Eu não tenho uma resposta geral pra todos os casos em que mentir seria ou não condenável, mas acredito em soluções para casos específicos, como no caso da Briony, se você mentisse, depois se arrependesse e tivesse a oportunidade de salvar a vida de uma pessoa contando a verdade, você não deveria fazê-lo? E na minha vida eu levo as coisas mais ou menos assim, quando você percebe que a coisa está preta é hora de contar a verdade, porque a mentira já deixou de ser branca faz tempo.

Bia K (Em busca da verdade perdida)

*(Mateus 5:37)
** O retrato de Dorian Gray p.232

Por que não consigo terminar meu TCC


Alguns dos meus colegas colaram grau recentemente, e quando conto isso com o maior entusiasmo, alguns me perguntam por que não me formei junto com a minha turma original, no prazo estipulado, por que não fiz meu TCC ainda e o que são as optativas que tenho que fazer, e como pode eu estar no quinto ano pra ser uma bibliotecária, já até cansei de explicar, as pessoas perguntam educadamente, é claro, e querendo entender, mas é que tantas vezes já repeti a história que estou cansada dessas perguntas. Cheguei a conclusão de que só conseguiria terminar meu TCC neste semestre se:
1º) Me duplicasse, porque só assim pra dar conta de fazer todas as lições das cinco matérias optativas que peguei neste semestre, ir trabalhar e ainda tocar o TCC pra frente. Cinco matérias pode parecer pouco, já que eu soube de gente que se matricula em doze matérias, mas eu estou trabalhando no meu limite e mais que isso é insanidade, já que só com essas disciplinas dormir na minha vida passou a ser uma atividade que pratico apenas aos finais de semana.
2º) Todos os problemas emocionais da minha vida fossem eliminados, mas aí aparece um fio branco na minha cabeça, o que deixa todos os outros cabelos arrepiados, e pra piorar O sujeito não me liga, o que me desestabiliza totalmente porque eu ainda tenho emoções. Se eu fosse um robô seria mais fácil, mas as minhas partes biônicas se restringem aos óculos, no resto sou totalmente orgânica.
Como acho que não é possível fazer nem uma coisa nem a outra, pois ainda não conseguiram ou não está a preços populares a clonagem de seres humanos, e fazer uso de hipnose ou outras técnicas de condicionamento não totalmente aprovadas pela medicina poderia trazer prejuízos a minha criatividade (que também não vai lá essas coisas, vê-se por este post de desabafo e inútil) da qual ainda preciso pra redigir um texto interessante.
O jeito é prorrogar a faculdade em mais um semestre mesmo, e com isso respondo aos meus familiares, parentes e amigos que perguntam por que ainda não me formei, e que ainda se espantam com o fato de que são necessários quatro a cinco anos de faculdade pra se formar bibliotecário, enquanto não sei quem, se formou não sei em quê em dois anos, e já está trabalhando não sei onde, ganhando mais do que eu ganhei em toda a minha vida.
E também pra me redimir de que estou gastando mais dinheiro público com a extensão do prazo do curso, eu pretendo trabalhar enquanto a minha massa cinzenta agüentar e minha embalagem permitir, pra devolver em benefícios pra essa sociedade que bancou os meus estudos com seus impostos até agora, sim, eu sou idealista, e penso nisso o tempo todo, na verdade a própria produção do meu TCC já seria uma forma de devolver o que gastei dos bens públicos, pesquisa acadêmica, que desenvolve uma idéia, que desenvolve uma ação, que resulta em algum benefício pra sociedade, é esse o princípio.
Então, já que decidi prorrogar o prazo que pelo menos seja um trabalho que valha a pena e seja verdadeiramente útil o meu TCC.

Bia K (meio idealista, mas meio sem rumo também)