quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo bom que não volta nunca mais


Escrevi o texto abaixo junto com o Felipe em setembro de 2010, na época fazia alguns dias que a biblioteca do Instituto Unibanco tinha fechado. Era para este texto ter sido publicado em outro blog, mas agora publico ele aqui porque é o meu protesto contra o fechamento da biblioteca que usei pra fazer minhas pesquisas da escola no Ensino Médio, estudar para o vestibular, onde li quase todos os Harry Potter, onde  fui voluntária, e depois  fiz estágio (bons tempos), mas principalmente o lugar onde conheci os bibliotecários que me inspiraram a querer ser bibliotecária. Depois do fechamento da biblioteca do CETZ fiquei sabendo de gente que vai estudar na praça próxima porque não tem mais nenhum lugar ideal para estudar tão perto quanto antes. Mas a pergunta que não quer calar é: a reforma do espaço foi feita nem quatro anos atrás, com direito a prédio feito para ser biblioteca, moderno, bonito, adequado, então por que raios o Instituto Unibanco investiu dinheiro na construção de todo o espaço e agora jogou esse dinheiro no lixo tão rápido desativando a biblioteca? Pra que não seja desse jeito eles vão ter que construir alguma coisa que dê muito mais lucro no lugar, mas não sei o quê, afinal o terreno não fica tão bem localizado assim, a biblioteca ficava à beira da Raposo Tavares, não na Paulista. Então não tenho resposta pra essa pergunta, acho que só  o tempo dirá o que aquele prédio vai virar. É isso meus amigos.
Bia K (Ainda desolada com essa história)

Instituto Unibanco fecha biblioteca usada por mais de 3 mil pessoas.
por Beatriz Araújo e Felipe Salles em 12 de setembro de 2010.
No dia 1º de setembro de 2010, a biblioteca mantida pelo Instituto Unibanco localizada no jardim Educandário, zona Oeste de São Paulo, foi arbitrariamente fechada sem grandes possibilidade de protesto por seus cerca de 3 mil usuários, o único comunicado oficial foi uma espécie de panfleto chanfrado colado na portaria do Centro de Estudos onde fica a biblioteca, sem aviso prévio de nenhuma natureza ou enumeração de motivos de fechamento à biblioteca  que foi criada com o intuito de favorecer a ampliação do horizonte cultural dos freqüentadores e que era amplamente utilizada pelos alunos das três principais escolas estaduais do bairro (E.E. Professor Lourival Gomes Machado, E.E. Profª Guiomar Rocha Rinaldi e a E.E. João XXIII)  por sua proximidade e facilidade de acesso, atendia também os funcionários do conglomerado  Itaú-unibanco, e sobretudo a comunidade do jardim Educandário.
A biblioteca funcionava desde 2003 no Centro de Estudos Tomas Zinner, um laboratório de desenvolvimento de atividades orientadas e de experimentação de tecnologias pedagógicas, e que até tempos atrás também oferecia cursos e oficinas para a comunidade.
A biblioteca possuía um acervo com mais de 35 mil itens entre livros periódicos e DVDs, também dispunha de computadores com acesso a Internet para pesquisas escolares e acervo atualizado com clássicos da literatura, livros infanto-juvenis, assinatura dos principais jornais e revistas e obras para estudo e informação de estudantes, professores, pesquisadores e demais interessados, além de uma intensa programação cultural com saraus e encontros literários.
Durante certa época chegou a atender diariamente mais de 100 pessoas, oferecendo serviços como auxilio a pesquisa, empréstimo de livros e acesso a Internet. Contudo nos últimos meses houve a criação de uma norma interna proibindo a entrada de menores de 14 anos desacompanhados dos pais ou responsáveis no Centro de Estudos Tomas Zinner, o que reduziu drasticamente a freqüência da biblioteca.
 A maioria dos usuários eram estudantes do ensino médio que usavam a biblioteca com o intuito de complementar pesquisas escolares e estudar para o vestibular, o ENEM e concursos públicos, ao mesmo tempo em que era freqüentada por pessoas que procuravam um espaço diferenciado para a leitura e lazer, bem como estudantes universitários em busca de material especifico.
A biblioteca pública mais próxima fica a 9 km de distância. O motivo do fechamento ainda não foi explicado, foi feito contato com o Instituto Unibanco, empresa mantenedora da biblioteca, mas até agora não tivemos resposta.
A comunidade do jardim Educandário está se manifestando através de uma comunidade no Orkut (“Reabram a biblioteca do CETZ”) e também um abaixo-assinado. Os movimentos de protesto não têm uma meada condutora pelo estranhamento causado pelo fechamento abrupto e boa parte dos utilizadores somente possuía acesso a Internet pela biblioteca e nem ao menos pode participar do movimento online!
O que a comunidade pergunta é que porque o Instituto Unibanco deixou de investir nela? Será que a fusão Itaú-Unibanco não permite mais o investimento na comunidade? Afinal uma relação de já quase sete anos foi estabelecida entre a comunidade do jardim Educandário e a biblioteca do Centro de Estudos, os cursos, oficinas contaram com o apoio da comunidade que participava das atividades e contribuía para que a empresa pudesse desenvolver suas tecnologias pedagógico-educacionais. Ainda que não seja uma obrigação da empresa, ela assumiu uma responsabilidade social e atuava como um dos poucos espaços de cultura e lazer do bairro, mas que agora com o fechamento da biblioteca extingui-se um local que proporcionava educação e informação para jovens estudantes e toda a comunidade do jardim Educandário.

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